Oxumaré

 

 

 

12038376_724025461061982_8829735439611972925_nOxumarê, filho mais novo e preferido de Nanã, irmão de Omulu, e Ossayn. É um Orixá masculino, entidade branca muito antiga, que  participou da criação do mundo enrolando-se ao redor da terra, reunindo a matéria e dando forma ao Mundo. Sustenta o Universo, controla e põe os astros e o oceano em movimento. Rastejando pelo Mundo, desenhou seus vales e rios. É a grande cobra que morde a cauda, representando a continuidade do movimento e do ciclo vital. Sua essência é o movimento, a fertilidade, a continuidade da vida.

A comunicação entre o céu e a terra é garantida por Oxumarê. Leva a água dos mares, para o céu, para que a chuva possa formar-se – é o arco-íris, a grande cobra colorida. Assegura comunicação entre o mundo sobrenatural, os antepassados e os homens e por isso à associa do ao cordão umbilical.

Oxumaré irradia as sete cores que caracterizam as sete irradiações divinas que dão origem às Sete Linhas de Umbanda. E ele atua nas sete irradiações como elemento renovador.

Oxumaré é a renovação do amor na vida dos seres. E onde o amor cedeu lugar à paixão, ou foi substituído pelo ciúme, então cessa a irradiação de Oxum e inicia-se a dele, que é diluidora tanto da paixão como do ciúme. Ele dilui a religiosidade já estabelecida na mente de um ser e o conduz, emocionalmente, a outra religião, cuja doutrina o auxiliará a evoluir no caminho reto.

Um segundo e errado aspecto da visão geral, seria um ser andrógeno, metade macho metade fêmea, mas isso não é verdade. Oxumarê atua intensamente na vida dos seres com desequilíbrio no chacra básico, na Kundaline.

Kundaline: literalmente “serpente enrolada”; energia latente em espiral no chakra da base da coluna: a Força Vital: a energia da Mãe. Quando a Kundalini é despertada ela começa a subir pela coluna vertebral, penetrando e ativando cada um dos chakras, podendo também ser transformada em vigor mental. A elevação da Kundalini de maneira descontrolada pode ocasionar insanidade, desejo sexual descontrolado e desordenado ou uma perversão da Força Vital em todos os chakras.

Em relação a Oxumarê, qualquer definição rígida é difícil e arriscada. Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino.

Oxumaré é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea, estando metade do ano sob a influência de macho e a outra metade sob a influência de fêmea, dai a dualidade de Oxumare, sendo o conceito basico associado a seus mitos e a seu arquétipo. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). Oxumaré mostra a necessidade do movimento da transformação.

A dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc.

Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris, sendo atribuído a Oxumarê o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a prova de que a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará à terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.

Nos seis meses subseqüentes, o Orixá assume forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É então, uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão, perdendo em transcendência e ganhando em materialismo. Sob essa forma, segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso.

Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo- todos os movimentos dos planetas e astros do universo, regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da existência de uma só pessoa. Se essa ação terminasse de repente, o universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional do Candomblé que diz que é necessário alimentar e cuidar de Oxumarê muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a conseqüência será nada menos que o fim da vida no mundo.

Seu domínio se estende a todos os movimentos regulares que não podem parar, como a alternância entre o dia e a noite, o bom e o mal tempo (chuvas) e entre o bem e o mal (positivo e negativo).

Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já que ela está em seu habitat característico, podendo realizar rápidas incertas.

Características

Cor Azul turquesa, azul claro, 7 cores do arco-íris, ou amarelo e verde
Fio de Contas Fio colorido com as 7 cores do arco iris, ou fio comprido feito com buzios, colocados de forma a parecer escamas de peixe, verde e amarelo, ou amarelo  e preto
Ervas Graviol,Damiana, Artemísia , Angico, Buchinha do Norte, Dandá, Espinheira Santa, Orégano, Urucum, Valeriana, Picão Preto, Açafrão Raiz, Angélica Raiz, Carapiá, Carqueja Amarga, Chapéu de Couro, Gengibre, Guaraná Semente, Hibisco Flor, Imburana Semente, Manjerona, Marapuama, Dente-de-leão, Bálsamo,etc
Símbolo Cobra e Arco-Íris.
Pontos da Natureza Próximo da queda da cachoeira.
Flores Flor do campo coloridas, hortênsia, miosótis, flores  amarelas
Essências Mineral aquatico
Pedras Ágata, flurita multicolorida, turmalina melancia, opala
Metal Latão (Ouro e Prata mesclados)
Saúde pressão baixa, vertigens, problemas de nervos, problemas alérgicos e de pele
Planeta Venus
Dia da Semana Terça-feira
Elemento Água em movimento constante
Chakra Laríngeo
Saudação Arrobobô
Bebida Água Mineral
Animais Cobra
Comidas Batata doce em formato de cobra, bertalha com ovos
Numero 14
Data Comemorativa: 24 de agosto
Sincretismo: São Bartolomeu
Incompatibilidades: sal, água salgada
Qualidades

Dan – Corresponde ao nome Jeje de Oxumarê e, no Alakétu, constitui uma qualidade deste último: é a cobra que participou da criação. É uma qualidade benéfica, ligada à chuva, à fertilidade e à abundância; gosta de ovos e de azeite de dendê. Como tipo humano, é generoso e até perdulário.

Dangbé – É um Oxumarê mais velho que seria o pai de Dan; governa os movimentos dos astros. Menos agitado que Dan, possui uma grande intuição e pode ser um adivinho esperto.

Becém – Dono do terreiro do Bogun, veste-se de branco e leva uma espada. Becém é um nobre e generoso guerreiro, um tipo ambicioso, combativo de Oxumarê, menos afectado e menos superficial que Dan. Aido Wedo, também é uma qualidade de Oxumarê conhecida no Bogun.

Azaunodor – É o príncipe de branco que reside no Baobá, relacionado com os antepassados; come frutas e “leva tudo de dois”.

Frekuen – É o lado feminino de Oxumarê, representado pela Serpente mais venenosa. O lado masculino de Oxumarê é geralmente representado pelo Arco-Íris.

Akemin, Botibonan, Besserin, Dakemin, Bafun, Makor, Arrolo, Danbale, Foken, Darrame, Araka, Averecy, Akoledura e Bakilá

 Características  de filhos de Oxumarê

São pessoas que tendem à renovação e à mudança. Periodicamente mudam tudo na sua vida (de maneira radical): mudam de casa, de amigos, de religião, de emprego; vivem rompendo com o passado e na busca de novas alternativas para o futuro, para cumprir o seu ciclo de vida: mutável, incerto, de substituições constantes. São pessoas magras. Como as cobras possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar.
São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar as suas riquezas.
São orgulhosas, exibicionistas, mas também generosas e desprendidas quando se trata de ajudar alguém. Extremamente ativas e ágeis, estão sempre em movimento e ação, não podem parar.
São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objetivos e não medem sacrifícios para alcançá-los.
A dualidade do Orixá também se manifesta nos seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão nas suas vidas, que chegam a ser de 180 graus, indo de um extremo ao outro sem a menor dificuldade. Mudam de repente da água para o vinho, assim como Oxumarê, o Orixá do Movimento.

No Positivo: Tendem à renovação e à mudança, vivem rompendo com o passado e na busca de novas alternativas para o futuro. Pacientes e obstinados na luta pelos seus objetivos, não medem esforços para alcançá-los. São extrovertidos, alegres, amáveis, criativos e curiosos.

No Negativo: Tornam-se apáticos, infelizes, fechados, sombrios, com tendência à autopunição.

Aspecto Físico: Costumam ser magros, ativos, ágeis, de olhos atentos e salientes, difíceis de  encarar.

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-08-10