Ossayin

 

ossaim[1]

Orixá Masculino, do ar livre, que governa toda a floresta, juntamente com Oxossi, dono do mistério das folhas e seu emprego medicinal ou sua utilização mágica. Dono do axé (força , poder , fundamento , vitalidade e segurança ) existentes nas folhas e nas ervas, evitando os lugares onde a mão do homem poluiu a natureza com o seu domínio.

Orixá de grande importância, visto ser ele quem detém o reino e poder das plantas e folhas, imprescindíveis nos rituais e obrigações de cabeça e assentamento de todos os Orixás através dos banhos feitos de ervas. Como as folhas estão relacionadas com a cura, Ossãe também está vinculado à medicina, por guardar escondida na sua floresta a magia da cura para todas as doenças dos homens, contida nas virtudes de todas as folhas. A cura é invocada no caso de doença, com o auxílio de Obaluaiê.

É o Orixá da cor verde, do contato mais íntimo e misterioso com a natureza. Seu domínio estende-se ao reino vegetal, às plantas, mais especificamente às folhas, onde corre o sumo. Por tradição, não são consideradas adequadas pelo Candomblé mais conservador, as folhas cultivadas em jardins ou estufas, mas as das plantas selvagens, que crescem livremente sem a intervenção do homem,onde só os sacerdotes (mão de ofá) podem entrar.

Quando os Zeladores(as) de Santo, penetram no reino de Ossãe para fazerem as colheitas das ervas sagradas para os diversos rituais, sejam eles os banhos e defumações, ou tisanas a serem ingeridas, devem antes pedir a Ossãe permissão para tal tarefa, pois se não o fizerem, com certeza todas as folhas que retirarem de seu Reino, não terão os Axés e Magias que teriam se pedissem a sua permissão. Junto á planta cortada, deixa-se sempre a oferenda de algumas moedinhas e um pedaço de fumo-de-corda com mel, assim assegurando que a vibração básica da folha permaneça, mesmo depois de ela ter sido afastada da planta e, portanto do solo que a vitalizava.

Realmente, Ossãe é o encanto, a magia. O Senhor das matas, tanto pode  facilitar a busca da erva desejada, quando solicitado com fé e respeito, como pode escondê-la de nôs, criar uma ilusão de ótica e não permitir que a vejamos, mesmo que esteja à nossa frente, debaixo de nosso olhos, quando não reconhecido o seu valor.

Existe sempre a necessidade de se  invocar a participação de Ossãe ao utilizar uma planta para fins ritualísticos, pois, a capacidade de retirar delas sua força energética básica, continua sendo segredo de Ossãe. Por isso não basta possuir a planta exigida como ingrediente de um prato a ser oferecido ao Orixá, ou de qualquer outra forma de trabalho mágico.

A Colheita das folhas já é completamente ritualizada, não se admitindo uma folha colhida de maneira aleatória. As folhas devem ser colhidas na floresta virgem, sempre que possível. Antes de penetrar na mata, o iniciado deve pedir licença a Oxossi e a Ossãe, para isso acender vela na entrada, com o cuidado de limpar a área onde ficarão as velas.

Toda vez que queimamos uma floresta, desmatamos, cortamos árvores, ou simplesmente arrancamos folhas desnecessariamente, estamos violando a natureza, ofendendo seriamente essa força natural que denominamos Ossãe.

E é por este motivo que devemos respeitar nossas florestas, bosques, matas, enfim todo espaço em que tenha uma planta, mesmo sabendo que Ossãe habita as florestas e matas fechadas mas toda planta leva em sua essência o Axé deste Orixá da cura.

As folhas e ervas de Ossãe, depois de colhidas são esfregadas, espremidas e trituradas com as mãos, e não com pilão ou outro instrumento. Cumpre quebrá-las vivas entre os dedos.

Ossãe tem uma aura de mistério em torno de si e a sua especialidade, apesar de muito importante, não faz parte das actividades quotidianas, constituindo-se mais numa técnica, um ramo do conhecimento que é empregado quando necessário o uso ritualístico das plantas para qualquer cerimonia litúrgica, como forma condutora da busca do equilíbrio energético, de contato do homem com a divindade.

Características

 

Cor Verde e Branco
Fio de Contas Contas e Miçangas verdes e brancas
Ervas Manacá, quebra-pedra, mamona, pitanga, jurubeba, coqueiro, café (alfavaca, coco de dendê, folha do juízo, hortelã, jenipapo, lágrimas de nossa senhora, narciso de jardim, vassourinha, verbena)
Símbolo Ferro com sete pontas com um pássaro na ponta central. (Representa uma árvore de sete ramos com um pássaro pousado sobre ela)
Pontos da Natureza Clareira de matas
Flores Flores do Campo
Pedras Morganita, Turmalina verde e rosa, Esmeralda, Amazonita
Metal Estanho (latão)
Saúde problemas ósseos, reumatismo, artrite
Dia da Semana Quinta-feira
Elemento Terra
Saudação Eueuá Ossãe
Bebida suco de hortelã, suco de goiaba, enfim sucos de qualquer fruta
Animais Pássaros
Comidas Banana frita, milho cozido com amendoim torrado, canjiquinha, pamonha, inhame, bolos de feijão e arroz, farofa de fubá; abacate
Numero 15
Data Comemorativa 5 de outubro
Sincretismo: S. Benedito
Incompatibilidades: ventania, jiló

Características dos Filhos de Ossain
Os filhos de Ossaim são pessoas extremamente equilibradas e cautelosas, que não permitem que suas simpatias ou antipatias interfiram em suas opiniões sobre os outros. Controlam perfeitamente seus sentimentos e emoções. Possuem grande capacidade de discernimento e são frios e racionais em suas decisões. São pessoas extremamente reservadas, não se metem em questões que não lhe dizem respeito. Participam de poucas atividades sociais, preferindo o isolamento. Elas evitam falar sobre sua vida, sobre seu passado, preferem manter certa aura de mistério. Geralmente, não têm nada de mais a esconder, mas desejam manter reserva.
Pressa e ansiedade não fazem parte de suas características, pois são pessoas detalhistas e caprichosas no cumprimento de suas tarefas. Possuem gosto por atividades artesanais que exigem isolamento e paciência; não gostam de ter chefe nem subalternos, não se prendem a horários, apreciam a independência para fazer o que gostam na hora que querem. São pessoas fascinadas com as regras e tradições, adoram questioná-las. Possuem um gosto exacerbado pela religiosidade

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-09-20