O que é a Umbanda

UMBANDA como religião !

Umbanda é uma das formas de sentir Deus/Oxalá em nossa vida. Na Umbanda somos levados a refletir sobre os nossos atos, sobre urgência de reformularmos o nosso comportamento, praticando amor, humildade e caridade para com o nosso semelhante.

Se é esta a nossa fé, então Umbanda é a nossa religião.

Considerando a Umbanda religião e pesquisando na história da Humanidade encontramos os seus fundamentos que vêm de tempos longínquos e terras distantes. Umbanda recebe de braços abertos todos quantos com ela se identificam, Umbanda não descrimina cor da pele, raça, posses ou origem religiosa.

É uma religião que tomou a sua forma baseada no culto aos Orixás e seus servidores: Crianças, Caboclos, Preto-velhos e Exús, sendo estas as principais linhagens de trabalho.

Cada uma delas com características, funções e formas de trabalhar bem específicas, mas todas subordinadas às forças da natureza que os regem, os ORIXÁS.

Os espíritos infantis, o dos negros e dos índios, formam o que hoje, chamamos de: Trilogia Carmática da Umbanda.

Com a opressão religiosa sofrida na época da escravidão, onde o cristianismo reinava, a  necessidade de preservar a cultura e a religiosidade dos negros, surge o “Sincretismo religioso“. Associando às imagens católicas os Orixás para assim continuar a praticar e difundir o culto ás forças da natureza. E assim se passaram séculos em que o som dos atabaques dos escravos passou a ser aceite pelos seus senhores.

Senhores que recorriam aos seus escravos pelos seus conhecimentos curadores quando a medicina do branco não conseguia resolver.

Em 1889 é assinada a “lei áurea” quando a princesa Isabel libertou o corpo escravizado do negro e tantos outros de outras nações que também tinham sido escravizados.

Socialmente os agora ex-escravos viviam na total miséria, muitos abandonados à sua própria sorte. Surge uma outra forma de escravidão, em que o negro o índio e outros eram pagos quando a sorte lhes sorria pelos antigos senhores agora obrigados a pagar pelo trabalho. Muitos o único pagamento que recebiam era a sua refeição diária e o direito a dormir numa cama, dormindo ainda assim nas antigas senzalas.

Na parte religiosa, os seus cultos são quase que direcionados à vingança e à desgraça do homem branco, reflexo do período de escravatura. No campo astral, os espíritos que tinham tido encarnação como índios, caboclos (mamelucos), cafuzos e negros, não tinham campo de atuação nos agrupamentos religiosos existentes.

O catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação com os mortos, e o espiritismo (kardecismo) estava preocupado apenas em reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de espíritos com o rótulo de “doutores”.

Os Senhores da Luz (Orixás), atentos ao cenário existente, por ordens diretas do Cristo Planetário (Jesus) estruturaram aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade, que quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de suas encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no Brasil.

Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral da Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades.

Enquanto isto, no plano terreno surge, no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por “João do Rio”, pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro sócio-político-cultural do Brasil. O escritor, no intuito de levar ao conhecimento da sociedade os vários segmentos de religiosidade que se desenvolviam no então Distrito Federal, percorreu igrejas, templos, terreiros de bruxaria, macumbas cariocas, sinagogas, entrevistando pessoas e testemunhando fatos. Não obstante tal obra ter sido pautada em profunda pesquisa, em nenhuma página desta respeitosa edição cita-se o vocábulo Umbanda, pois tal terminologia era desconhecida.

A formação histórica do Brasil incorporou a herança de três culturas : a africana, a indígena e a europeia. Este processo foi marcado por violências de todo o tipo, particularmente do colonizador em relação aos demais. A perseguição deveu-se a preconceitos e à crença da elite brasileira numa suposta alienação provocada por estes cultos nas classes populares.

No início do século XX, o choque entre a cultura europeizada das elites e a cultura das classes populares urbanas, provocou o surgimento de duas tendências religiosas na cidade do Rio de Janeiro. Na elite branca e na classe média vigorava o catolicismo nos pobres das cidades (negros, brancos e mestiços) era grande a presença de rituais originários da África que, por força de sua natureza e das perseguições policiais, possuíam um caráter reservado.

Na segunda metade deste século, os cultos de origem africana passaram a ser frequentados por brancos e mulatos oriundos da classe média e algumas pessoas da própria elite. Isto contribuiu, sem dúvida, para o caráter aberto e legal que estes cultos vêm adquirindo nos últimos anos.

Esta mistura de raças e culturas foi responsável por um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a partir de semelhanças existentes entre santos católicos e orixás africanos, dando origem ao Umbandismo.

Ao contrário do Candomblé, a Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz de adotar novos elementos. Assim o elemento negro trouxe o africanismo (nações); os índios trouxeram os elementos da pajelança; os europeus trouxeram o Cristianismo e o Kardecismo; e, posteriormente, os povos orientais acrescentaram um pouco de sua ritualística à Umbanda. Essas cinco fontes criaram o pentagrama umbandista:

Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja, tendo como objectivo somente a prática da caridade.

Algumas casas de Umbanda homenageiam alguns Orixás do Candomblé,  como por exemplo: Oxumarê, Ossãe, Logun-Edé. Mas os mesmos, na Umbanda, não incorporam e nem são orixás regentes de nenhum médium.

Na Umbanda existem os guias de trabalho e entre eles existe aquele que é o responsável pela vida espiritual e por isso é chamado de guia chefe, por regra é um caboclo, mas pode ser em alguns casos um preto-velho.

 

Aspectos Dominantes do Movimento Umbandista

 Ritual, variando pela origem

  1. Vestes, em geral brancas
  2. Altar com imagens católicas, pretos velho, caboclos
  3. Sessões espíritas, formando agrupamentos em pé, em salões ou terreiro
  4. Desenvolvimento normal em corrente
  5. Bases; africanismo, kardecismo, indianismo, catolicismo, orientalismo
  6. Serviço social constante nos terreiros
  7. Finalidade de cura material e espiritual
  8. Trabalhos Energéticos
  9. Batiza, consagra e casa

Ritual

A Umbanda não tem, infelizmente, uma entidade representante, que a nível nacional ou internacional, dite as regras e as normas sobre a religião ou tenha autoridade que possa proibir os abusos.

Por isso cada terreiro segue um ritual próprio, em que a diferenciação de ritual entre um terreiro e outro é ditado pelo guia chefe desse terreiro.

Entretanto, a base que todo o terreiro deve de seguir é o principio básico do bom senso, honestidade e do desinteresse material, além de pregar, é claro, o ritual básico transmitido através dos anos.

O mais importante, seria que todos pudessem encontrar em suas diferenças de culto, um elo unificador. Tal elo é a Caridade!

Não importa se o atabaque toca, ou se o ritmo é de pâo, nem mesmo se não há som. O que importa é a honestidade, humildade e o amor com que nos entregamos á nossa religião.

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-08-10