Nanã

10645228_531660900298440_7814069532736480989_nNanã, é um Orixá feminino de origem daomeana, que foi incorporado há séculos pela mitologia iorubá, quando o povo nagô conquistou o povo do Daomé, assimilando a sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.

Nesse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continua sendo o pai de quase todos os Orixás. Yemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos, nunca se questionando a paternidade de Oxalá sobre estes também, paternidade essa que não é original da criação das primeiras lendas do Daomé, onde Oxalá obviamente não existia.

Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá.

É neste contexto, a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omolu (ou Obaluaiê) e Oxumarê.

Nanã é assim a mais velha divindade do panteão, associada às águas paradas, à lama dos pântanos, ao lodo do fundo dos rios e dos mares. O único Orixá que não reconheceu a soberania de Ogum por ser o dono dos metais.

Nanã é o princípio, meio e o fim, o nascimento, a vida e a morte.

Ela é a dona do Axé por ser o Orixá que dá vida e a sobrevivência, a senhora das Iabás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.

As águas paradas e lamacentas dos pântanos têm uma aparência morta a primeira vista, no entanto existe vida de plantas e micro organismos que buscam nas profundezas das lagoas e lama, a vida e o sustento.
Seus cânticos são súplicas para que leve Iku, para longe e que permita que a vida seja mantida.

Nanã é a Senhora da passagem desta vida para outras, comandando o portal mágico entre a passagem das dimensões, sendo desta forma considerada a deusa do reino da morte, sua guardiã, quem possibilita o acesso a esse território do desconhecido.

Muitos são portanto os mistérios que Nanã esconde, pois nela entram os mortos e através dela são modificados para poderem nascer novamente. Só através da morte é que poderá acontecer para cada um a nova encarnação, para novo nascimento, a vivência de um novo destino – e a responsável por esse período é justamente Nanã. Ela é considerada pelas comunidades da Umbanda e do Candomblé, como uma figura austera, justiceira e absolutamente incapaz de uma brincadeira ou então de alguma forma de explosão emocional. Por isso está sempre presente como testemunha fidedigna das lendas.

Jurar por Nanã, por parte de alguém do culto, implica um compromisso muito sério e inquebrável, pois o Orixá exige de seus filhos-de-santo e de quem a invoca em geral sempre a mesma relação austera que mantém com o mundo.

Nanã forma par com Obaluaiê. E enquanto ela atua na decantação emocional e no adormecimento do espírito que irá encarnar, ele atua na passagem do plano espiritual para o material (encarnação), o envolve em uma irradiação especial, que reduz o corpo energético ao tamanho do feto já formado dentro do útero materno onde está sendo gerado, adormecendo a sua memoria, e preparando-o para uma nova vida na carne, ao qual já está ligado desde que ocorreu a fecundação.É por isso que Nanã é associada à senilidade, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na sua vida carnal.

Nanã é lama, é terra com contacto com a água.

Nanã também é o pântano, o lodo, sua principal morada e regência.

Ela é a chuva, a tempestade, a garoa.

O banho de chuva, por isso, é uma espécie de lavagem do corpo, homenagem que se faz à Nanã, lavando-se no seu elemento.

A chuva é a parte da vida, que vai irrigar a terra, Se ela cai demais, é porque a força da Natureza, Nanã, está insatisfeita.

Nanã  é uma figura muito controvertida do panteão africano. Ora perigosa e vingativa, ora praticamente desprovida de seus maiores poderes, relegada a um segundo plano amargo e sofrido, principalmente ressentido.

Entre os símbolos de Nanã está o ibiri, que é feito com palitos do dendezeiro que representa a multidão de Eguns, que são seus filhos na terra dos homens, e Nanã os carrega como mimasse uma criança.
Considerada avó de todos os Orixás. Sua dança é lenta, andar curvado, demonstrando sua idade madura, sua velhice.

Quando dança no Candomblé, ela faz com os braços como se estivesse embalando uma criança. Sua festa é realizada próximo do dia de Santana, e a cerimônia se chama Dança dos Pratos.

É uma divindade das águas paradas e dos pântanos, responsável pela matéria prima da vida, barro, que deu forma ao primeiro homem, assim da criação do mundo e dos seres.

Portanto, para alguns, Nanã é a Divindade Suprema que junto com Zambi fez parte da criação, sendo ela responsável pelo elemento Barro, que deu forma ao primeiro homem e de todos os seres viventes da terra, e da continuação da existência humana e também da morte, passando por uma transmutação para que se transforme continuamente e nada se perca.

Nanã rege fisicamente o estômago, os intestinos, a memória e os pés, temida por todos que conhecem seus hábitos e costumes, este é o Orixá representante da continuidade da existência humana e, portanto, da morte.

Características

 

Cor Roxa ou Lilás (Em algumas casas: branco e o azul)
Fio de Contas Contas, firmas e miçangas de cristal lilás
Ervas Manjericão Roxo, Colônia, Ipê Roxo, Folha da Quaresma, Erva de Passarinho, Dama da Noite, Canela de velho, Salsa da Praia, Manacá. (Em algumas casas:  assa peixe, cipreste, erva macaé, dália vermelho escura, folha de berinjela, folha de limoeiro, manacá, rosa vermelho escura, tradescância)
Símbolo Chuva
Pontos da Natureza Lagos, águas profundas, lama, cemitérios, pântanos
Flores Todas as flores roxas
Essências Lírio, Orquídea, limão, narciso, dália
Pedras Ametista, cacoxenita, tanzanita
Metal Latão ou Níquel
Saúde Dor de cabeça e Problemas Intestino
Planeta Lua e Mercúrio
Dia da Semana Sábado (Em algumas casas: Segunda)
Elemento Água
Chakra Frontal e Cervical
Saudação Saluba Nanã
Bebida Champanhe
Animais Cabra, Galinha ou Pata. (Brancas)
Comidas Feijão Preto com Purê de Batata doce. Aberum. Mungunzá
Número 13
Data Comemorativa 26 de julho
Sincretismo Nossa Senhora Santana
Incompatibilidades Lâminas, multidões
Qualidades Ologbo, Borokun, Biodun, Asainán, Elegbe, Susure

Características Dos Filhos De Nanã

Uma pessoa que tenha Nanã como Orixá de cabeça, pode levar em conta principalmente a figura da avó: carinhosa às vezes até em excesso, levando o conceito de mãe ao exagero, mas também ranzinza, preocupada com detalhes, com forte tendência a sair censurando os outros. Não tem muito senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural. Nanã, através de seus filhos-de-santo, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros.

Às vezes porém, exige atenção e respeito que julga devido mas não obtido dos que a cercam. Não consegue entender como as pessoas cometem certos enganos triviais, como optam por certas saídas que para um filho de Nanã são evidentemente inadequadas. É o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias, nem aceitar que nem todos pensem da mesma forma que ela.

Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões, mantém-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.

Todos esses dados indicam também serem os filhos de Nanã, um pouco mais conservadores que o restante da sociedade, desejarem a volta de situações do passado, modos de vida que já se foram. Querem um mundo previsível, estável ou até voltando para trás: são aqueles que reclamam das viagens espaciais, dos novos costumes, da nova moralidade, etc.

Quanto à dados físicos, são pessoas que envelhecem rapidamente, aparentando mais idade do que realmente têm.

Os filhos de Nanã são calmos e benevolentes, agindo sempre com dignidade e gentileza. São pessoas lentas no exercício de seus afazeres, julgando haver tempo para tudo, como se o dia fosse durar uma eternidade. Muito afeiçoadas às crianças, educam-nas com ternura e excesso de mansidão, possuindo tendência a se comportar com a indulgência das avós. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça, com segurança e majestade.

O tipo psicológico dos filhos de NANÃ à introvertido e calmo. Seu temperamento é severo e austero. Rabugento, é mais temido do que amado. Pouco feminina, não tem maiores atrativos e à muito afastada da sexualidade. Por medo de amar e de ser abandonada e sofrer, ela dedica sua vida ao trabalho, à vocação, à ambição social.

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-09-20