Médiuns

 

O Cansuá D’Oyá, tem a sua Cartilha interna com regras bem claras, para os deveres e obrigações do médium, a qual não será transcrita, deixando apenas alguns concelhos básicos, para que cada médium que pense integrar um terreiro de umbanda, seja ele qual for, possa refletir em consciência, sobre os cuidados a ter para o seu perfeito desenvolvimento.

O médium, ao iniciar num terreiro deve conhecer antecipadamente as suas obrigações e o que devem ou não fazer, pois conhecendo os princípios filosóficos do espaço, será mais fácil a sua integração.

Existe sempre um compromisso para  com o terreiro a que forem pertencer, devendo no entanto fugir ao fanatismo, lembrando-se sempre do equilíbrio da vida profissional, social e familiar. Assim temos como regra no Cansuá D’Oyá, em que primeiro vem a obrigação, depois a devoção e finalmente a diversão.

O médium, deverá ter um comportamento equilibrado, controlando o seu emocional, bem como as ações para com terceiros, mas principalmente respeitar o meio ambiente, pois ao sujá-lo e não respeitar, está a “magoar”, algum dos nossos queridos Orixás. A corrente de médiuns deve ser coesa, alegre e vibrante, para tal é necessário que todos estejam em harmonia espiritual.

Uma das questões que se deve refletir, é sobre a vontade de evolução espiritual de cada médium, dado cada dia ser um aprendizado diferente para a evolução individual de cada um, pois passa-se a ter um compromisso constante com o espiritual.

A disponibilidade para com o terreiro, é algo que se deve ponderar, pois o ser médium de um terreiro não será certamente, apenas participar nas giras. Existe um trabalho constante dentro do terreiro o qual exige grande disponibilidade extra giras:

  • a manutenção do espaço
  • trabalhos a realizar entre giras

Refletirem que independentemente de terem acolhido a Umbanda como a vossa religião, terão de saber respeitar as outras religiões, pois ao respeitar as outras religiões, sem impor aos outros as vossas convicções,  estão a assegurar automaticamente a exigência, pelo respeito à nossa religião. Aplica-se aqui a Lei causa / efeito. Se respeita, poderá exigir o respeito.

Alguns médiuns têm dúvidas sobre as incorporações, questionando-se se as mensagens que estão a ser transmitidas, serão das entidades ou serão coisas da sua própria cabeça.  Neste aspecto apenas posso dizer que não se deve “travar” a emissão de uma mensagem, pois quando for animismo, os dirigentes seguramente que saberão como corrigi-lo.

Existe uma fusão do espírito do médium com o espírito comunicante, criando-se uma terceira energia, sendo esta a responsável transmissora da mensagem. É impossível a comunicação pura do espírito. O importante é a presença do espírito, com maior ou menor intensidade.

Quando o médium está preparado para seguir o procedimento normal do aprendizado, ele não deve segurar as incorporações, e jamais esquecer o momento certo da incorporação. Se está se chamando um espírito pelo ponto individual ele não deve dar passagem, excepto se for ponto de linha, o momento for oportuno e permitido pelo desenrolar da gira. O médium deve facilitar a incorporação. Na Umbanda as entidades têm incorporações típicas da linha.

  • O índio é erecto, forte e incorpora com um vibração firme, algumas vezes se ajoelhando e batendo no peito.
  • O preto-velho já é mais macio na incorporação, se curva e faz o tipo de cansado e a criança o tipo infantil.

Quando o ponto estiver induzindo o tipo da entidade, o médium já deve estar psicologicamente preparado para receber e se comportar conforme o tipo da entidade. É um erro lutar contra o espírito, ou seja, receber um índio como se fosse um preto-velho. De propósito até agora não falei do Exu e da pomba-gira, para dar um destaque de grande importância: Exu não é aleijado e Pomba-gira não é prostituta. Ambos são entidades maravilhosas.

O médium tem um complexo espiritual chamado aura, que é formado pelo material (o corpo físico), o duplo etéreo (ou cascão), o perispírito e o espírito. A aura é formada por elementos energéticos que se chamam chacras. É por eles que o espírito incorpora, até unir o seu espírito com a aura do cavalo. Por esse motivo é importante haver uma preparação do médium nos dias de gira para que sua aura esteja leve e limpa, através de um banho de erva, bons pensamentos, com o mental sem mágoa ou raiva.

Sua atenção no dia dos trabalhos deve estar sempre voltada para reunião com os irmãos da corrente, procurar a alegria, boa leitura, não comer carne e fazer refeições leves, nem  ingerir álcool ou praticar sexo.

Sou contra o fanatismo, as regras existem bem como a liberdade, mas jamais o médium deve esquecer que a sua liberdade cessa quando começa a do outro.

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-07-27