Obaluaiê – Itáns

“As Duas Mães de Obaluaiê”

Filho de Oxalá e Nanã, nasceu com chagas, uma doença de pele que fedia e causava medo aos outros, sua mãe Nanã morria de medo da varíola, que já tinha matado muita gente no mundo.

Por esse motivo Nanã, o abandonou na beira do mar. Ao sair em seu passeio pelas areias que cercavam o seu reino, Iemanjá encontrou um cesto contendo uma criança.

Reconhecendo-o como sendo filho de Nanã, pegou-o em seus braços e criou-o como seu filho em seus seios lacrimosos.

O tempo foi passando e a criança cresceu e tornou-se um grande guerreiro, feiticeiro e caçador.

Cobria–se com palha da costa, não para esconder as chagas com as quais nasceu, e sim porque seu corpo brilhava como a luz do sol.

Um dia Iemanjá chamou Nanã e apresentou-a a seu filho Xapanã, dizendo:

“Xapanã meu filho, receba Nanã sua mãe de sangue.”

“Nanã, este é Xapanã nosso filho.”

E assim Nanã foi perdoada por Omulu e este passou a conviver com suas duas mães.

***

“Xapanã, rei de Nupê.”

Xapanã, originário de Tapa, levou os seus guerreiros para uma expedição aos quatro cantos da terra.

Uma pessoa que fosse ferida pelas suas flechas, ficava cega, surda ou manca.

Obaluaê-Xapanã ao chegar ao território de Mahi no norte de Daomé, matando e dizimando todos os seus inimigos, começa a destruir tudo o que encontra à sua frente.

Os Mahis foram consultar um Babalaô e o mesmo ensinou-os como fazer para acalmar Xapanã.

O Babalaô diz que estes deveriam tratá-lo com pipocas, que isso iria tranquiliza-lo.

Xapanã torna-se dócil e contente com as atenções recebidas manda construir um palácio onde foi viver e não mais voltou ao país Empê.

O Mahi prosperou e tudo se acalmou.

***

“Orixá da cura, continuidade e da existência !!!”

Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava a haver uma festa com a presença de todos os orixás.

Obaluaiê não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência.

Então ficou a espreitar pelas frestas do terreiro.

Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha e com um capuz que ocultava seu rosto doente, convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos.

Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se aproximava dele.

Iansã que tudo acompanhava com o rabo do olho compreendeu a triste situação de Obaluaiê e dele se compadeceu.

Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.

O Xirê (festa, dança, brincadeira) estava animado.

Os Orixás dançavam alegremente com suas Ekedes.

Iansã chegou então bem perto dele e sontou os seu ventos nas roupas de palha de Obaluaiê. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê saltaram para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão.

Obaluaiê, o deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador. Obaluaiê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.

***

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-09-20