Hierarquia

Embora lutemos sempre pela igualdade, liberdade de expressão, etc, a hierarquia no mundo material existe sempre, e a religião não é exceção.

Dentro da Umbanda a patente mais alta é a de Mãe-de-Santo(leia-se Mãe-de-Santo ou Pai-de-Santo), sendo então a Hierarquia mais alta de um Terreiro.

Quando me questionam se é do meu agrado ser Mãe de Santo, a resposta é sim. É um sim dito por alguém que nunca teve esta ambição, mas tem plena consciência do peso da responsabilidade e sabe que a sua responsabilidade deixou de ser apenas para com as suas entidades e passou a ter um compromisso para com todos os que a si recorrem em busca de auxilio.

Aprendi no Tempo a aceitar este desafio que todos os dias cresce.

Meu juramento para com a Umbanda e para com o próximo é mantido até aos dias de hoje e todos os dias faço por cumprir.

Como nos tornamos Mãe-de-Santo ou Pai-de-Santo?

Quando recebemos as nossas obrigações de outro Pai-de-Santo ou Mãe-de-Santo, não existindo nenhuma regra escrita que lhe dê o poder para tal. No entanto este deve ter a perfeita consciente do peso deste passo.

A Mãe-de-Santo é a dirigente de um Terreiro de Umbanda e a sua palavra tem a força da decisão, sendo considerada lei irrefutável.

Cada Mãe-de-Santo com a sua personalidade o seu modo de ser, suas ideias e seus fundamentos, fazendo nascer uma casa de Umbanda baseada na sua essência. Sendo seguida por todos aqueles que acreditam e aceitam os fundamentos da sua casa e que pisam aquele chão de livre vontade.

Como diz o ditado “Em minha casa as minhas regras, na casa dos outros respeitamos as regras do outro”.

São inquestionáveis as decisões da Mãe-de-Santo, dando continuidade às antigas leis em que a matriarca era consultada pelo seu conhecimento e sabedoria ancestral.

O Orixá cósmico da dirigente marca sempre a linha de trabalho do terreiro sendo este Orixá sempre o chefe espiritual do terreiro. Existem também as suas entidades que ditam as regras e normas para o funcionamento de um Terreiro.

Não devemos esquecer que apesar do seu cargo, uma Mãe-de-Santo esta é um ser humano igual a qualquer outro.

No entanto o juramento de humildade e lealdade para com a espiritualidade falará sempre mais algo perante alguma decisão mais difícil que tenha de tomar.

Como zeladora e seguidora extrema dos fundamentos da casa surge o cargo de Mãe-Pequena(ou Pai-Pequeno). A esta é dada a responsabilidade da constante vigilância da dinâmica das giras e dos pontos de segurança firmados. Esta é a substituta da Mãe-de-Santo na sua ausência, tem a obrigação de fazer com que os trabalhos sejam rigorosamente cumpridos dentro dos fundamentos da casa pela qual zela e neles nasceu.

Em paralelo, em temos de hierarquia temos a Ekédi, tendo esta como característica a de não ser um médium rodante, podendo no entanto acontecer em alguns casos, esta é considerada os olhos e os ouvidos da Mãe-de-Santo. Ekéjì (em Yoruba), são na realidade Ekéjì ÒRISÀ(a segunda pessoa do ÒRISÀ), dado que a primeira pessoa será a Yalorixá ou Babalorixá( para termos mais compreensíveis a Mãe-de-Santo ou Pai-de-Santo).

Ekéjì é um cargo que se divide em alguma categorias e atributos(dependendo da categoria), vão desde o cozinhar para o santo, costurar e vestir os Orixás, mas em especial auxiliar a Yalorixá.

É uma companheira da Mãe de Santo, ajuda em tudo, só deve obediência à mãe ou pai de santo, nada deve de ser feito sem a sua supervisão, onde os pais ou mães de santo estão ela está também. Tem direito a duas ajudantes. É pessoa de bons sentimentos e de boa moral, sem mentiras ou maldades. E tem, bons conhecimentos no santo iguais ou parecidos aos do pai de santo.

De seguida temos os Ogãs, que tal como as  Ekédis, geralmente não incorporam, podendo no entanto acontecer em alguns casos.

Possuem obrigações específicas dentro do terreiro, sendo considerados pais e mães por natureza. A eles são atribuídos os atabaques, o sacrifício de animais(quando de acordo com a ritualística de um terreiro), a guarda dos elementos espirituais do culto, a colheita de ervas, auxilio imediato à Yalorixá nos ebós e obrigações dadas aos filhos.

A este três elementos na hierarquia (Mãe e Pais pequenos, Ekêdi e Ogãs) merecem todo o nosso respeito, carinho e devoção, são eles que de uma forma ou de outra fazem com que o caminho a ser trilhado, por todos, dentro da religião, seja menos penoso, mais alegre, e muito mais feliz.

Temo de seguida os capitães-de-terreiro, que são os que auxiliam os trabalhos e cuidam de determinadas tarefas no terreiro, coordenadores de giras, são médiuns feitos à mais de 7 anos.

Médiuns feitos à menos de 7 anos, jamais podem substituir as tarefas dos dirigentes maiores, a não ser que lhe seja especificamente autorizado para tal.

Entre essa hierarquia não pode haver discordância de filosofia. A fidelidade entre todos tem de ser absolutamente homogénea.

Apesar de ser quase impossível a unanimidade no conceito e no entendimento da religião, esta pode ser discutida e modificada no nosso Terreiro, principalmente porque na Umbanda não existe uma Cartilha, devendo no entanto cumprir-se as regras internas de uma hierarquia e os fundamentos da nossa casa.

As discordâncias e não aceitação do mando levam os membros a uma ruptura da hierarquia, sendo no entanto necessário o bom senso para ordenar as tarefas a algum irmão, para que estes não sejam confundidos com prepotência e submissão.

Quem não sabe obedecer jamais vai poder mandar.

Seguidamente vêm os médiuns em desenvolvimento.

Axé a toda uma Hierarquia, a toda uma corrente, pois esta é a força do nosso terreiro.

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-07-26