Exú e PombaGira

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A linha de Exú e Pomba Gira, muitas vezes designados como povo da esquerda ou povo da rua, são espíritos humanos que tiveram várias encarnações, cometendo erros e acertos, como todo ser humano, mas com um diferencial: consciencializaram-se e retomaram o caminho da Lei Divina, obtendo assim permissão para se assentarem à Esquerda dos Orixás e trabalharem no auxílio à nossa evolução.

Esta linha actua como Guardiões da Lei Maior, absorvem e esgotam as negatividades dos seres que se desviaram das Leis do Criador, em qualquer dos Sete Sentidos da Vida, depois, vitalizam as qualidades positivas deles de forma a neutralizá-los, deixando assim os seus magnetismos aptos a que retomem o caminho da evolução.

Todas as Linhas da Umbanda são amparadas por um Orixá e o mesmo acontece com os Exús. Apesar das imagens de Exús, fazerem referência ao “Diabo” medieval (herança do Sincretismo religioso), eles não devem ser associados a prática do “Mal”. Na realidade os Exus/Pomba Gira são uma notável falange de abnegados espíritos combatentes da nossa Umbanda. São hierarquicamente organizados e realizam tarefas atinentes à sua faixa vibratória. São os elementos de execução e auxiliares dos Orixás, Guias e Protectores, tendo, entre outras tarefas, a de serem as sentinelas das casas de Umbanda, de policiarem o baixo astral e anularem trabalhos de baixa magia. Ao contrário do que pensam alguns, têm noção exacta de Bem e Mal. São justos, ajudando a cada um segundo ordens superiores e merecimento daquele que pede auxílio.

São os Exus que travam as acções malévolas dos obsessores que atormentam os humanos no dia-a-dia. São os vigilantes ostensivos, a tropa de choque que está alerta contra os kiumbas, prendendo-os e encaminhando-os à Colônias de Regeneração ou Prisões Astrais.

Em algumas ocasiões baixam em templos de Umbanda, ou mesmo em templos de outras religiões, espíritos que tumultuam o ambiente, promovendo espectáculos circenses, galhofas, e se comportando de maneira deselegante para com os presentes,  e proferindo palavras de baixo calão. Comportamento como estes não devem ser imputados aos Exús, e sim aos Kiumbas, espíritos moralmente atrofiados e que ainda não compreenderam a imutável Lei de Evolução, apegados que estão aos vícios, desejos e sentimentos humanos.Os Kiumbas, para penetrarem nos Terreiros, fingem ser Caboclos, Pretos-Velhos, Exús, Crianças etc., cabendo ao Guia-chefe da Casa estar sempre vigilante ante a determinadas condutas, como palavrões, exibições bizarras, ameaças etc.

Um médium, quando Umbandista, deverá ter um comportamento de acordo com a religião, não utilizando esta fantástica falange espiritual, para tentar  impressionar os menos esclarecidos com gracejos, malabarismos, convites imorais, encharcados de aguardente, desnudando-se a si próprios,  para o seu verdadeiro, Eu, cheio de falta de ética, moral ou até mesmo de escrúpulos, atribuindo após uma “desincorporação”, tais comportamentos aos Exús e Pombo-giras.

Os Exús são espíritos que, como nós, buscam a evolução, a elevação, empenhando-se o mais que podem para aplicarem as directrizes traçadas pelo Mestre Jesus. É bem verdade que em seu estágio inicial os Exus ainda têm um comportamento às vezes instável, cabendo aos verdadeiros umbandistas o dever de não deixar que se desvirtuem de seu avanço espiritual.

Exú, não é mau, nem tão pouco demónio, ou perverso que bebe sangue e se regozija com as desgraças que possa causar. Ele é o guardião dos caminhos, soldado dos Pretos-velhos e Caboclos, emissário entre os homens e os Orixás, lutador contra o mal, sempre de frente, sem medo. são os verdadeiros Guardiões da pilastra da criação. Preservando e actuando dentro do mistério Exu.

Verdadeiros cobradores do karma e responsáveis pelos espíritos humanos caídos representam e são o braço armado e a espada divina do Criador nas Trevas, combatendo o mal e responsáveis pela estabilidade astral na escuridão. Senhores do plano negativo actuam dentro de seus mistérios regendo seus domínios e os caminhos por onde percorre a humanidade.

Em seus trabalhos Exú corta demandas, desfaz trabalhos e feitiços e magia negra, feitos por espíritos malignos. Ajudam nos descarregos e desobsessões retirando os espíritos obsessores e os trevosos, e os encaminhando para luz ou para que possam cumprir suas penas em outros lugares do astral inferior.

Seu dia é a Segunda-feira, seu patrono é Santo António, em cuja data comemorativa tem também sua comemoração, ou seja dia 13 de Junho. Sua bebida ritualistica é a cachaça, podendo no entanto durante as giras terem outras preferências.

Quando lhe é permitido usar, Exú, tem as cores preta e vermelha como preferência, podendo também ser preta e branca, ou conter outras cores, dependendo da irradiação a qual correspondem. Completa a vestimenta com o uso de cartolas (ou chapéus diversos), capas, véus, e até mesmo bengalas e punhais em alguns casos.

A roupagem fluídica dos Exús varia de acordo com o seu grau evolutivo, função, missão e localização.

O Orixá que dá nome às Entidades Exús e Pomba Gira é o Orixá Elegbara. Na Umbanda, este Orixá não é cultuado directamente, mas está presente e é actuante. É sabida que as Divindades existem e que estão presentes nas nossas vidas, mesmo que as pessoas não as reconheçam.

O Orixá Elegbara recebeu na Umbanda  a Linha Exus e Pomba Giras, trabalham na Força, no Poder do seu orixá regente e manifestam-se entre nós quando dão consultas, passes, fazem descarregos, cortam magias negativas etc.

A origem do Orixá Elegbara está em Deus. Todas as Divindades provêm de Deus. Mas em termos culturais, sabemos que o culto de Orixás vem da África.

Na África, o culto a Exu é ancestral e milenar. Curiosamente, aparece em todas as regiões daquele continente, de forma que não há como saber em qual região africana esse culto começou

Dentro da visão umbandista os Exus que trabalham na Umbanda actuam nos Sete Sentidos da Vida, ou seja, actuam nos campos de todos os Orixás.

Na África não se cultuava a Entidade Exu, como ocorre na Umbanda. Lá, Exu é um Orixá “mensageiro” que leva os pedidos das pessoas aos outros Orixás e traz as respostas; é a grande “boca” pela qual os outros Orixás falam com os homens; é o primeiro a receber oferendas, a ser servido e despachado, para recolher as negatividades e levar embora os problemas e perturbações. Tem culto e oferendas específicos e também seus sacerdotes, que o tratam com o mesmo respeito dedicado aos demais Orixás. É respeitado como Orixá, e não como espírito.

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O termo Pombo Gira é corruptela do termo “Bombogira” que significa em Nagô, Exu.

Pombo-Gira é um Exu Feminino, na verdade, dos Sete Exus Chefes de Legião, apenas um Exu é feminino, ou seja, ocorreu uma inversão destes conceitos, dizendo que a Pombo-gira é mulher de Sete Exus e, por isso, prostituta.

É claro que em alguns casos, podem ocorrer que uma delas, em alguma encarnação tivesse sido uma prostituta, mas, isso não significa que as pombo-giras tenham sido todas prostitutas e que assim agem.

A função das pombo-giras, está relacionada à sensualidade. Elas frenam os desvios sexuais dos seres humanos, direcionam as energias sexuais para a construção e evitam as destruições.

As pombo-giras são grandes magas e conhecedoras das fraquezas humanas. São, como qualquer Exú, executoras da Lei e do Karma.

Cabe a elas esgotar os vícios ligados ao sexo. Quando um espírito é extremamente viciado ao sexo, elas, às vezes, dão a ele “overdoses” de sexo, para esgotá-lo de uma vez por todas.

São espíritos alegres e gostam de conversar sobre a vida. São astutas, pois conhecem a maioria das más intenções. Quem errou e reconheceu os seus erros tem um grau de consciência apurado. E quem vem trabalhar como Guia de Umbanda tem um nível de evolução superior ao nosso! Na Umbanda, quando POMBA GIRA se manifesta, estamos diante DO SAGRADO FEMININO.

Por detrás daquele Espírito que vem trabalhar, há um Orixá Sustentador, há um Mistério da Criação Divina. Há também outros Pais e Mães Orixás Irradiadores, a amparar e indicar o campo específico de trabalho de cada Pombagira.

Enfim, na actuação de Pomba Gira há todo um Caminho Sagrado que nos envolve ao qual devemos amar, honrar e respeitar, dentro e fora da religião.padilha1

Quem conhece o caminho pode guiar quem vem atrás… A única maneira de quebrarmos os preconceitos que ainda existem em relação aos Exus/ Pomba Giras é pelo estudo da natureza e finalidade do trabalho dessas Entidades dentro da Umbanda. Fiéis de outras religiões não têm obrigação de conhecer isso, embora nos devam respeitar, o que não é admissível é fieis da Umbanda e principalmente Umbandistas praticantes activos continuarem a alimentar ideias erróneas.

Enquanto houver médiuns e consulentes umbandistas a achar que podem pedir qualquer coisa a Exu ou Pombagira; ou médiuns agindo de uma forma vulgar “em nome da Entidade”,  será difícil que a Umbanda obtenha o respeito das pessoas de fora da religião. E dentro da religião essas práticas absurdas só abrem caminho para a manifestação de seres trevosos, mentirosos e enganadores, que nada mais são do que afins com aqueles que deturpam o nome da Umbanda. Semelhante atrai semelhante…

Axé

Mãe Vanda D’Oyá

Last updated: 2016-12-23